Americanos adoram títulos e recordes. Eles se gabam de morar na cidade com maior quantidade de árvores, de piscinas, de escolas, de igrejas. Eles brigam para ser o estado do país que mais colhe batatas, vende carros, promove corridas de rua. Na maioria das vezes, os títulos são bobos e apenas nos divertem pelo absurdo da estatística. Outras tantas, eles atraem nossa curiosidade e, até, nossa vontade de reproduzir o feito. Foi o que aconteceu quando li uma reportagem no jornal americano The New York Times. O texto, publicado na semana passada, fala o que nós, pais, podemos aprender com uma cidade que produziu 11 atletas olímpicos nas últimas décadas. Wow! Onze atletas olímpicos na mesma cidade é algo realmente impressionante.
Coloco aqui os principais trechos que explicam o sucesso das crianças que vivem na pequena Norwich, no estado de Vermont, a 431 quilômetros de Nova York. Obviamente, não é possível reproduzir tudo por aqui, tampouco achar que, se conseguirmos o feito, também teremos atletas olímpicos. Não é isso. Mas acho que vale a reflexão para um mundo melhor para as crianças, onde a excelência e a felicidade coexistem. Dentro e fora da nossa casa.
– Trate os filhos dos vizinhos como se fossem seus. O senso de comunidade em Norwich é muito forte. O sucesso de um é comemorado como vitória para todos. Os mais ricos doam equipamentos esportivos para os menos abonados. Os pais mais disponíveis são voluntários em treinos e eventos. O incentivo é coletivo, independentemente do talento.
– Ensine o quanto esporte é divertido e enriquecedor. A filosofia da cidade é que esporte deve trazer conquistas mais duradouras do que a alegria do pódio e das medalhas do próximo campeonato. Os pais de Norwich ensinam também a importância da disciplina, da determinação, do foco e da perseverança, qualidades que, no longo prazo, podem trazer ainda mais sucesso fora das quadras.
– Deixe as crianças se apropriar de suas atividades. Em Norwich, os pais reforçam o senso de responsabilidade. Para praticar o esporte que ama, é preciso manter as notas na escola, negociar prazos com professores e aprender a organizar sua agenda. Assim, as crianças/adolescentes ganham autonomia, auto-estima e competência. Tudo muito útil na vida adulta.
– Permita que as crianças resolvam seus conflitos e desejos. Pais em Norwich tentam não direcionar os filhos para atender suas próprias ansiedades. Eles já intuíram que os pais helicópteros, aqueles que querem controlar tudo, acabam minando a autonomia dos filhos e plantando uma vida de insatisfação.
Norwich tem um péssimo sinal de celular. As crianças de lá ficam, em comparação com as de outros lugares, bem menos em eletrônicos. Por se tratar de uma cidade bem pequena, a maioria dos pais trabalha perto de casa. Isto os permite chegar em casa mais cedo e passar mais tempo com os filhos. Enfim, o estilo de vida em Norwich é outro. Ainda assim, o que esta cidade rural americana, com menos de 10 mil habitantes, produziu é louvável.
Incentivar um pré-adolescente no esporte exige talento. Leia aqui!
A imagem é uma cena do filme Eu, Tonya, que retrata a vida da ex-patinadora no gelo Tonya Harding.