Vida de Menina

Quem segura uma adolescente que está louca por um piercing?

Quando minha filha chegou em casa com a ideia de fazer um piercing, eu sabia que nada que eu dissesse a convenceria do contrário. Infecção? Aguento! Dor? Dou conta. Inflamação? Não me assusta. Pus, pomada, ardor? Encaro numa boa! A menina estava decidida e derrubou todos meus argumentos.

Quase 30 anos atrás, eu também quis ousar. Numa temporada de férias com meu pai, em Cabo Frio, pedi para fazer uma tatuagem. Ele não deixou. Ficou bravo. Proibiu. Decidida e incapaz de convencê-lo, fui em frente e fiz assim mesmo. Era uma manhã de sol, praia lotada, mar azul. Fugi da barraca em que estávamos e me enfiei dentro da Kombi do tatuador Flávio. Entreguei a ele todo dinheiro que ganhei de natal e, sem me preocupar com qualquer questão sanitária, tive uma tornozeleira com 16 rosas tatuada na minha perna direita. Por meses, escondi a ousadia do meu pai. E me senti feliz. E me senti poderosa. E me senti dona daquele nariz que eu tanto empinava.

Então, quando minha filha pediu um piercing na orelha, achei pouco, razoável, ok. Não é irreversível nem dramático. Para dor, tem analgésico. Para infecção, tem antibiótico. Para arrependimento, tem a remoção. E se tudo der certo, tem a alegria de andar por aí com aquele marcador da menina grande, da menina esperta, da menina ousada.

Mas como sou a mãe, neurótica por questões sanitárias (ufa! ainda bem que crescemos!) e preocupada com a segurança da menina, procurei um estúdio legal, com profissionais experientes, ambiente estéril e a levei ontem, debaixo de um toró daqueles. Ainda não sei se vai infeccionar, dar alergia ou ser rejeitado pelo corpinho. Por enquanto, ficamos só com a alegria dessa mini rebeldia!

Atualizado em 22/11/2017.