Vida de Menina

A adolescência e os estudos. Ai, ai, ai…

Meu caçula está encantado por números. Passa o dia fazendo conta. Fica realizado quando as somas de unidades viram dezenas e depois centenas. Entende a lógica da tabuada. Presta mais atenção no número nas páginas dos livros do que na história contada. Todos dizem que terá facilidade em matemática, que será engenheiro como o avô, que irá tirar os estudos de letra. Acho linda a intimidade que ele tem com os números. Mas não canto vitória quando o assunto é escola, ou melhor, quando o assunto é filho. Ou, ainda, quando o assunto é pré-adolescente e adolescente. Mãe de três em idades diferentes, vejo que filho é igual o clichê usado atualmente para falar de vídeo game: cada nova fase é mais difícil do que a passada. E cada filho precisa de uma atenção e de um estímulo diferentes. Ai, ai, ai… a adolescência e os estudos são uma prova de fogo!

Minha filha do meio, por exemplo, resistiu bravamente para aprender a tabuada. Debochava de si mesma, fingia não ter interesse, ignorava nossos apelos. Só levou a coisa a sério quando proibimos o uso do celular até ela estar com todas as contas na ponta da língua. E ela nos avisaria quando isso ocorresse. Foram duas semanas sem o aparelho e sem tocar no assunto. Até o dia em que pediu para ser arguida e respondeu tudo corretamente. Entregamos o telefone e guardamos a lição: esta precisa de um “presta-atenção” para pedalar mais forte.

Já a mais velha nunca deu sinais de que perderia o foco ou que precisaria de um empurrão. Faz a lição espontaneamente, lê tudo que mandam e um pouco mais, tem disciplina, respeita autoridade e, acima de tudo, tem curiosidade e vontade de aprender… Mas as coisas têm mudado um pouco desde o dia em que entrou na pré-adolescência. O interesse pela escola desandou. Por alguns meses, achei que ela estivesse triste, desmotivada e, consequentemente, afastada dos livros. Mas logo caiu a ficha que ela está, sim, motivada, porém não pelas coisas que eu gostaria que a motivassem. E, como é natural dos pais, jogamos nosso pensamento lá na próxima década e pintamos o pior cenário possível para quem não estuda. O resultado? Brigas intermináveis e livros fechados. Após horas de conversa, eu e meu marido mudamos a tática. Ainda somos novos neste desafio. Mas, no final do ano passado, já notamos algumas melhoras, nas notas e no ânimo da nossa filha. Para que tudo siga suavemente em 2018, pretendemos manter o mesmo caminho. E, aqui, quero dividir com vocês algumas táticas que, na nossa casa, deram certo. Vejam:

Jogue no mesmo time que seu filho – Quando eu via minha filha deitada no sofá quando deveria estudar para a prova do dia seguinte, imediatamente pensava que aquilo era uma provocação clássica, uma afronta. E logo despejava mil argumentos, ameaças e manipulações com a ilusão que ela agarraria o livro e que todos os problemas estariam resolvidos. Grande ilusão. Ela só teve interesse em me ouvir e em ouvir o pai quando nós dois nos demos conta de que ela precisava internalizar o conceito de responsabilidade, disciplina e organização. Cabia a nós estreitar o corredor, fechar o cerco e, assim, direcioná-la melhor. Ela não nasceu com estes conceitos prontos e enraizados. Aos que nasceram, parabéns!

Estabeleça a regra e fique firme – A escola dos meus filhos não manda lição de casa na sexta-feira, o que contribui para eles incorporarem a sexta ao fim de semana. Ou seja, sexta é day off – pode comer bobagem, pode dormir tarde, pode não fazer nada útil. Aí, a gente acaba numa matemática pouco favorável: eles têm 4 dias produtivos contra 3 improdutivos. Na minha cabeça quadrada, sempre achei que os dias produtivos deveriam ser bem mais que os improdutivos. O que ocorre é que, muitas vezes, minha filha mais velha tem alguma lição especial, matéria de prova para ser estudada ou trabalho para ser feito no fim de semana. Aí bate o pânico se as amigas a convidam para ir ao clube, se a família tinha programado um cinema ou simplesmente se ela amanheceu com preguiça. Tudo ficava para depois, afinal, no fim de semana tudo pode. Não mais. Agora as obrigações estão em primeiro plano. Não há brigas, porque não há conversa nem negociações. E não basta fazer e guardar na mochila. Nós checamos se foi feito e como foi feito. O ponto não é castigá-la, mas dar estrutura para ela seguir em frente.

Desenhe a estrutura de estudo – Logo que as cobranças da escola aumentaram, notamos que nossa filha ficou um pouco perdida. De uma hora para outra, ela precisou administrar a própria agenda e encaixar as lições semanais dentro do seu tempo fora da escola (Nota: a escola entrega todas as lições da semana na segunda-feira e cabe a cada aluno se organizar da forma mais adequada e conveniente.) Mais uma vez, precisamos entrar em ação. Por mais que ela soubesse o tamanho da tarefa, ela demorou a perceber que o número de horas em casa à tarde é limitado e pequeno, quando se tem aula de inglês, tênis, natação, teatro. Alguma coisa ficaria de fora. Remanejamos as atividades e limitamos o uso de televisão e eletrônicos. Num segundo momento, restringimos também o uso do celular. Não foi fácil. Teve muita resistência. Mas a ideia não era punir. O que fizemos foi basicamente um “Nana, Nenê” do estudo, onde tivemos que orientá-la como estudar para que ela consiga passar pelos anos escolares com menos tensão e mais tranquilidade.

Ainda temos pela frente mais de dez anos com filho na escola. Cada um com seu temperamento, cada um com suas aptidões, cada um com suas dificuldades. Nosso desafio é equilibrar ansiedade, expectativa e conquistas. Afinal, o aprendizado é de todos nós. E, talvez, mais nosso do que deles, porque precisamos organizar/preparar a estrutura para que eles possam lidar com as novidades.

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