Já faz tempo que as pesquisas mostram que elogiar uma criança por ser inteligente pode ser um tiro no pé: ela passa a valorizar apenas os resultados e não desenvolve a capacidade de se arriscar, experimentar e, eventualmente, até de fracassar. Ela chega a achar que tanta sabedoria é inata, eterna e suficiente.
Sabe-se, também, há algum tempo, que as crianças que são elogiadas pelo esforço são mais persistentes e resilientes e têm mais sede de aprender. É como se estas tivessem a mentalidade para o crescimento, ou growth mindset.
O que a psicóloga Carol Dweck, professora da Universidade Stanford e estudiosa do tema há 40 anos, levanta agora é se elogiar demais uma criança pelo esforço apenas não seria também um tiro no pé. Dweck alega que só parabenizar a criança não a leva ao objetivo desejado, que é aprender. O elogio acaba sendo um prêmio de consolação e não um incentivo para se desenvolver, aprimorar e aprender.
O que fazer então? Elogiar ou não elogiar?
Mais que colocar uma criança para cima o tempo inteiro, o importante é mostrar a ela que o cérebro pode ser desenvolvido e fortalecido como os músculos das pernas, por exemplo. Treinar, estudar, praticar… isso, sim, traz resultado. Tentar apenas não basta. Tentar sem foco e orientação basta menos ainda. Mas a persistência e a dedicação com planejamento e método podem aumentar a inteligência, o resultado e, consequentemente, o sucesso. Ou seja, o esforço pode ser valorizado, mas precisa estar atrelado a um processo adequado.
Ler os trabalhos da professora Carol Dweck nesta semana, quando minha filha mais velha recebeu as notas das provas, fez os desafios do ano valerem a pena. No primeiro trimestre, ela sentiu o grau de dificuldade na escola aumentar e passou a estudar um pouco mais, de forma desorganizada e até atrapalhada. Quando percebemos que o esforço dela não estava se transformando em notas boas, intervimos. Estabelecemos – com ela – dias e horários de estudo para cada matéria, incluímos sábado e domingo na agenda como dias ‘úteis’, nos inteiramos das matérias das provas para conseguir tirar dúvidas. E lá foi ela estudar, se dedicar, se esforçar. A maioria das notas foi ótima. Algumas, nem tanto. Mas tão pouco importava. Com o passar do ano, vimos que a segurança, a autonomia e a vontade de aprender estavam ali, independentemente do resultado. Enfatizamos o tempo todo que a nota era consequência e que o importante era o planejamento e a persistência. (Até porque exigir notas máximas sempre é um massacre cruel e ultrapassado.) E concluímos que pais e professores precisam sempre direcionar filhos e alunos – sejam eles inteligentes, esforçados ou inteligentes esforçados, caso contrário estudar sem rumo nada mais é que abraçar o vento. Obrigada por concordar conosco, dra. Dweck!
