Vida de Menina

Adolescência: fase quando tudo é um tédio!

adolescência: quando tudo é um grande tédio

Visitar minha família em Belo Horizonte sempre foi divertido para as crianças. Avós, tios, amigos, filhos de amigos e, mais recentemente, primos. Eles contavam os dias para estas viagens, para os pães de queijo, para as ladeiras e o Mercado Central. Tédio não existia.

Há pouco tempo, no entanto, alguém me disse: ‘Aproveite enquanto elas ainda curtem essa viagem’. Não dei ouvidos. Ingenuamente, imaginei que a curtição fosse durar para sempre. Que estar em Belo Horizonte fosse como estar em casa. Que não existe a possibilidade de se cansar de pão de queijo. Que mi casa, su casa.

Bem, a adolescência da minha primogênita de 14 anos tem me mostrado uma novidade por dia. E, a última delas é justamente essa: BH é chato, tudo é um tédio e ela não quer ir!

Nos próximos dias, temos o casamento de um primo por lá. Estamos, há semanas, falando da roupa, do sapato, do penteado. Estamos combinando programas com amigos. Estamos fazendo planos. Ou melhor, estou. Eu, sozinha.

Com passagem comprada e looks definidos, Lara não quer ir. Bateu o pé. Empacou. E, aí, eu pergunto: até onde há negociação? Até quando obrigamos? Até que ponto quero o estresse de viajar com um adolescente contrariado?

Dessa vez, ela fica. Não encarei o embate. O pai estará em casa e, portanto, a mudança de  planos não será um transtorno. Para as próximas, avaliaremos cada caso, o que pode e o que não pode ser negociado. Faltar o exame de faixa de taekwondo do irmão é proibido. Não estar presente nos jantares de aniversário da família é inaceitável. Mas, talvez, não ir a Belo Horizonte, uma vez ou outra, não seja algo tão grave. Principalmente neste momento, no qual ela está crescendo, buscando sua identidade e brigando por autonomia. Quisera eu ter sido ouvida na minha adolescência.

Claro que, às vezes, ela vai ter de lidar com o tédio, com a chatice, com Belo Horizonte… e não terá escolha. Às vezes, ela vai precisar nos acompanhar, querendo ou não. Às vezes, vai ser chato, cansativo, entediante mesmo. Ainda assim, ela não vai ter escolha. Mas, hoje, ela escolheu. Espero que seja divertido ficar com o pai. Se não for, que sirva como aprendizado que toda escolha tem uma consequência. Quanto a mim, vou dividida. De toda forma, sigo acreditando que, pão de queijo, nunca é demais.

Existe tédio nas redes sociais? Eles acham que não!