Vida de Menina

Felicidade tem preço?

Todos os dias, meus filhos precisam de alguma coisa. Uma borracha colorida que apaga melhor, uma meia mais grossa para o tênis não incomodar, uma blusa mais comprida para usar sobre legging, uma capinha para o celular para… para o quê mesmo? Todos os dias, tento explicar que eles não precisam de nada, ou precisam de muito pouco. Explico que eles querem, desejam, sonham. E isso é diferente.

Aí, tenho cada vez mais certeza do quanto educação financeira é importante e fundamental na formação das crianças. Defendo que deveria até ser matéria obrigatória no currículo escolar. Todas elas merecem aprender regras básicas – que parecem básicas na teoria, porém, dão um trabalhão danado na prática.

– Tudo custa dinheiro, pouco ou muito, mas custa. E o pouco, ao longo do tempo, vira muito.

– Se sua renda (a mesada) é gasta em sorvete, bala e figurinha, não sobra para comprar um brinquedo ou uma roupa melhor.

– Seja na loja de brinquedos ou no supermercado, você precisa fazer escolhas o tempo todo. Pense antes de gastar com bobagem.

– Sua mesada deve cobrir algum gasto importante e não apenas prazeres. Isso se chama assumir responsabilidade.

– Economizar parte da mesada deve ser um hábito que independe do plano de consumir uma coisa específica. Guarde também para algo que você nem sabe que deseja ou que vai precisar. O futuro é um desconhecido.

Mas, por mais importante que a teoria acima seja, o grande desafio para mim tem sido mostrar a meus filhos que, mesmo tendo disponibilidade financeira, a felicidade não está associada às compras. Elas não nos tornam melhores, mais bacanas, mais simpáticos, mais interessantes. Longe de mim ser minimalista. Adoro um shopping. Tenho um guarda-roupa lotado. E mantenho uma lista de desejos pronta e atualizada. Admito também que sacolinhas me dão, sim, muita alegria. Mas como pais, que naturalmente querem dar mais e mais aos filhos, me lembro diariamente de que essa alegria é pequena, superficial e efêmera, e tento mostrar em atitudes e longas conversas essa concepção aos meus filhos. E se hoje eles precisam de uma borracha ou de uma capinha para celular para se sentirem felizes e realizados, amanhã o preço dessa felicidade pode ser impagável ou ‘incomprável’.