Vida de Menina

Pré-adolescentes em férias: é divertido!

Existem cem anos entre os 11 da Estela e os 13 da Lara. Sempre existiram. Lara é mocinha, reservada, séria. Estela é brincalhona, sarcástica, palhacinha. Lara gosta de livros românticos e histórias de terror. Estela curte uma comédia, uma tiração de onda, uma boa risada. Lara é profunda, discute a relação, cobra posições, quer chegar à razão. Estela quer ser feliz, certa ou errada. Lara usa preto e cinza para não ser percebida. Estela faz mix de estampas e ainda lasca uma flor no cabelo. Lara tem poucas amigas, todas de longa data. Estela tem uma turma unida para sempre, também de longa data. Lara anda calmamente. Estela pula. Lara sorri. Estela gargalha. Lara chora diante de uma Nutella. Estela se joga no ceviche. E, com tantas diferenças, Lara e Estela obviamente brigam feito cão e gato.

Porque é mais fácil dividir o quarto com quem temos coisas em comum. Porque é mais gostoso dividir o controle remoto com quem temos o mesmo gosto. Porque é mais divertido sair para comer com quem temos o mesmo paladar. Mas quando crianças, na mesma casa, sem autonomia de ir e vir, se vêem juntas, estes extremos têm, em algum momento, que se aproximar. E, esse momento são as férias. Ah, sua agregadora!

Longe de amigas, longe do controle remoto, longe de opções, elas se unem. Primeiro foi numa festinha de uma prima pequena. As crianças tinham, em média, 5 anos. Lara e Estela chegaram acanhadas, sem lugar, um tanto tímidas. Quando se viram sozinhas e como as únicas pré-adolescentes, uniram forças. Se jogaram na tirolesa, na piscina de bolinhas, nas brincadeiras propostas pelo buffet. Elas se misturaram. Viraram amigas. Riram juntas. Depois, veio o domingo gelado, sem programa fora de casa. O que temos para hoje? Temos a irmã diferentona. E, lá foram elas ver filme, fazer slime, ensaiar dancinhas. No fim do dia, eis que surge um apelidinho carinhoso com um toque de mãos. Se entenderam. Se conectaram. Cada uma encontrou na outra um pouquinho do queria ter dentro de si. Juntas, aceitaram que tudo aquilo insuportável na irmã pode ser suportável.

E, hoje, mais um dia sem programa com amigas da idade, uniram forças novamente. Abriram espaço até para o irmão de sete anos. Passearam em Inhotim, nadaram juntas numa instalação, correram pelos gramados livres, leves e soltas. Mais tarde, resolveram fazer cookies. Eu propus, assim como minha mãe fazia com minha irmã mais velha e eu, que cada uma cuidasse do seu quadrado para, assim, evitar um atrito. Dito e não feito. Cada uma pegou sua tigela, sua farinha, seu ovo e sua manteiga e, no fim, a quatro mãos, estavam moldando os biscoitos de chocolate, sujando a cozinha e rindo. Serão grudadas para sempre? Não sei. Ainda brigarão muito? Com certeza. Mas encontrar a paz dentro de casa, encontrar amizade no quarto ao lado, encontrar em casa alguém que te entende com o olhar e te enxerga por inteiro é simplesmente sensacional. E, é tudo que desejei a elas. Ah, férias, sua danada! Estamos ainda na primeira semana e estou te curtindo demais!

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