desejo de ser independente

O desejo de ser independente e a adolescência

A adolescência da Lara chegou com força total. Mau humor, fone no ouvido, desejo de ser independente, braveza e infantilidade. Tudo ao mesmo tempo, junto e misturado. E, o carnaval chegou com dois episódios que deixaram claro o quanto essa fase pode ser dura para os pais, mas duríssima para a adolescente. Cheia de dúvidas, medos, inseguranças e um mundo de decisões a tomar.

Na semana passada, Lara combinou com as amigas de ir a um bloquinho de rua. Veja bem, moramos em São Paulo. Bloquinho por aqui é coisa de gente grande, esperta, sem ingenuidade. Não é para qualquer um. Não é para a turma de 13 anos. A concentração seria no meu bairro. A festa terminaria, como terminou, no Largo da Batata, com outras centenas de milhares de pessoas. Fiquei ressabiada de deixar. Muito nova, muito inocente, muito despreparada. Sim, carnaval de rua exige preparo, físico e emocional. Fizemos um combinado. Ela poderia ir enquanto o bloco permanecesse no bairro, coisa de uma hora. Depois, marcaríamos um ponto de encontro e… ponto final. De última hora, Lara desistiu. A multidão pareceu assustadora demais. Ufa.

Dias atrás, Lara foi convidada por uma superamiga para passar o carnaval numa fazenda a 8 horas de São Paulo. Ela iria de carro com a família da menina e voltaria na quarta-feira de cinzas. Dezesseis horas pelas estradas do Brasil paralisam meu corpo. Morro de medo. Mas o medo é meu, não dela. Então, bora deixar! E foi o que fiz, sabendo que o meu carnaval seria tenso. No primeiro momento, ela ficou animadíssima. Minutos depois, notei uma angústia. Em poucos dias, ela desistiu. Não se sentiu preparada para ficar tanto tempo longe e tão longe. Preferiu ficar em casa e deixar as aventuras mais para frente. Ufa.

Resumo da ópera: Lara é a adolescente descrita na literatura científica. Ela sonha por independência, mas não se sente preparada para soltar nossa mão. Ela quer a liberdade das meninas mais velhas, mas reconhece os limites e as inseguranças. Ela deseja ir para a rua ver o mundo, mas o aconchego da família ainda traz mais conforto.

Nesse mundo louco que vivemos dentro dessa cidade desorientada, ufa mil vezes. E, que ela fique aqui, por perto, enquanto achar lá fora ainda assustador.

Até onde conseguimos dar liberdade às meninas?

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Mineira de Belo Horizonte, jornalista, mãe de duas meninas de 12 e 15 e um menino de 9 anos. Criadora e editora do blog Vida de Menina.

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