Tem coisas que só as redes sociais fazem por você. Resgatar velhas amizades e permitir atos contínuos de voyeurismo no perfil de velhos amigos, ex-namorados, desafetos, são duas delas. Mas, embora eu seja super viciada nestas plataformas, sempre senti um ruído, um desconforto, como se soubesse que aquilo, em excesso, não pudesse fazer bem.
Minha irmã caçula, mais espiritualizada, anos atrás comunicou à família que abandonaria as redes sociais. Ela revelou que ver amigas na balada, em viagens e em jantares lhe causava inveja e que não queria mais auto-invocar este sentimento tão negativo. Também questionava que se ela, uma pessoa de coração bom, sofria com a grama verde do vizinho, o que poderia passar na cabeça das malvadas? Paula argumentava que aqueles pratos gourmets, aquelas festas glamurosas e aqueles quartos com vistas poderiam até ser reais, porém esporádicos. A vida real era outra. A vida real incluía repetir comida de ontem, limpar a casa, passar a noite de sábado fazendo companhia para a avó adoentada e por aí afora. Em busca de serenidade e paz, minha irmã se despediu do mundo virtual.
Naquela época, há quase uma década, considerei a medida exagerada. Afinal, o mundo mudou. As relações não se dão da mesma maneira. As amizades acontecem por outros canais. Continuei abastecendo meu vício, cada vez mais dependente.
Nos últimos anos, no entanto, minhas filhas descobriram esses narcóticos virtuais e também se apegaram a eles. Mais que inveja pela festa ou pela viagem dos outros, observei nelas uma busca incansável por bobagens. Eventualmente, elas até descobrem um filme, um livro, uma série de TV interessantes. Mas, grande parte do tempo é gasto com vídeos de humor medíocre, brincadeiras tolas e tutoriais de como fazer em casa itens de primeira necessidade, como slimes coloridas. E, não há argumento que as convença de que aquilo tudo é uma grande perda de tempo.
Pois, quando achei que era melhor aceitar que minhas críticas ao entretenimento virtual das meninas eram apenas consequência de um distanciamento de gerações, uma pesquisa me resgatou do fundo do poço e me mostrou o que minha irmã já sabia há anos e que eu tentava ignorar: as redes sociais fazem mal à saúde mental de seus usuários e são mais viciantes que álcool e cigarro.
O estudo conduzido pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Young Health Movement, organização voltada à saúde de jovens, considerou o Instagram a rede mais prejudicial à saúde mental dos adolescentes. Snapchat, Facebook e Twitter também fazem mal. O Youtube, por fim, foi classificado como o canal menos nocivo aos usuários. Segundo os pesquisadores, que acompanharam quase 1500 pessoas, as redes sociais interferem na auto-estima e aumentam o risco de ansiedade e depressão. O que ocorre é que elas são totalmente ligadas à imagem, o que provoca uma sensação de desamparo, medo de ser excluído e solidão nos jovens. Entre as meninas, o sentimento provocado é ainda mais cruel. As redes sociais fazem com que 90% delas se sintam insatisfeitas com seus corpos, considerando fazer de dietas malucas a procedimentos cirúrgicos.
Realmente, tem coisas que só as redes sociais fazem por você. E, talvez, ao analisar o escopo de ofertas, comer o que sobrou do almoço de ontem ou cuidar da avó numa noite de sábado não seja assim tão ruim.
O Whattsapp também é usado o dia todo, todos os dias da vida, na sua casa? Veja como proteger sua filha de um eventual estrago!
