Aos dois anos, ela implicou com o professor de natação e passou oito aulas de touca, maiô e óculos, na beirada da piscina. Nada a fazia entrar na água. Na época, perguntei à babá se o professor era agressivo, mal-educado ou se teria tido qualquer comportamento inadequado com a menina. A babá, mega vigilante, disse que não. O professor era atencioso e doce. Minha filha simplesmente implicou. Mal sabia eu que o futuro me reservava uma longa história da adolescente e suas implicâncias…
Dos 8 aos 11, ela teve o mesmo professor de educação física. Foram três anos infernais. As duas aulas semanais de E.F. viraram verdadeiras sessões de tortura. ‘Mãe, ele é insuportável’. ‘Mãe, ele pega no meu pé’. ‘Mãe, ele é grosso’. Preocupada, fui apurar os fatos. O moço realmente não era um poço de carisma nem simpatia, mas ela não foi desrespeitada, maltratada, humilhada. Não tinha nada concreto contra um… chato. Minha filha, mais uma vez, simplesmente implicou.
Com a adolescência, muitos professores se tornaram ‘insuportáveis’. No clube, minha filha surtou com o professor do esporte. Só sossegou quando o moço foi demitido – por corte de custo, ressalto. Mais adiante, parou a natação porque o professor tinha um ‘tom’ desagradável para falar com ela. A aula de música, que ela pediu para fazer depois da escola, durou menos de três meses. Motivo? O professor era intragável! Desrespeita? Não. Maltrata? Não. Humilha? Também não. Implicância pura e simples.
Essa semana, mais um episódio. Contrariada quando o professor de tênis chamou sua atenção pela falta de empenho, ela saiu nervosa no meio da aula, ameaçou largar o esporte, disse que o rapaz é insuportável, sem educação, debochado. Bateu o pé, falou com o coordenador etc e tal.
E, é aqui que me pergunto: qual é o grau de tolerância da minha filha e de sua geração (sim, ela faz parte de uma geração que está toda intolerante e implicante e acha tudo e todos chatos!)? Como será o resto de sua vida de estudante? Quantos professores serão detestados por ela? Quantos chefes serão odiados? Mais, será este comportamento uma forma de fugir de desafios, medos e dificuldades?
Sinto pelos professores, que são desafiados e desrespeitados por adolescentes mimados e cheios de vontade, quando estes estão lá dando duro, trabalhando, engolindo sapo de turmas de 13 anos. Mas, conhecendo minha filha, sinto mais por ela. Ninguém deve tolerar um professor grosso, desrespeitoso ou agressivo. Porém, aguentar cara feia, mal humor eventual, uma frase ou outra mais ríspida faz parte do jogo e da vida. Enfrentar os desafios também. Fugir não traz paz. E, cara ruim é pedra, muito das pequenas, que ela vai encontrar no caminho. A vida adulta, infelizmente, reserva pedregulhos bem maiores. Professor irritado (provavelmente com razão, após meses lidando com alunos com má vontade) é apenas um treino para tudo que virá no futuro. Por mais insuportável que seja, vale lembrar, ele não demite nem corta promoção. A vida de gente grande sim é a cena real.
E sua filha já foi para a primeira balada? Veja como eu sobrevivi à experiência!
