Inicialmente, o cigarro eletrônico foi usado para ajudar fumantes a largar o vício ou a reduzir o consumo de nicotina. Depois, virou uma brincadeira ‘cool, descolada’, entre não-fumantes. Em pouco tempo, caiu na graça dos adolescentes e pré-adolescentes. Como a quantidade de nicotina é controlada pelo usuário, muita gente quis acreditar que ele não levaria ao vício nem traria prejuízos à saúde.
Agora, o cigarro eletrônico foi repaginado: virou uma atividade, digamos, saudável. Ou melhor, novamente, querem acreditar nisso… Empresas americanas estão vendendo essências à base de vitaminas e óleos essenciais, para fazer do brinquedinho um suplemento alimentar. A ideia dos fabricantes é oferecer ao consumidor a possibilidade de inalar aquilo que não é ingerido. Faz sentido?
É fato que os cigarros eletrônicos contêm menos nicotina, a substância viciante, em comparação aos cigarros comuns. É fato que suplementação de vitaminas é uma prática normal e, quando supervisionada, saudável. Mas será que colocar no pulmão o que deveria ser assimilado pelo estômago faz bem? Ou melhor, não faz mal? E, no longo prazo? Ainda é cedo para saber. Não há evidências científicas.
Sabemos que na fumaça do cigarro tradicional existem mais de 70 substâncias cancerígenas. Todas elas já foram investigadas e observadas por muito tempo. Em relação ao cigarro eletrônico com vitaminas, não há muitos estudos sobre os danos que ele pode provocar. Nem benefícios, se é que existem. Cada combinação de essência, sabor, aromatizante e afins pode causar um tipo de problema, ainda não conhecido. Uma coisa, no entanto, chama atenção. O pulmão é um órgão delicado e preparado para receber ar puro. Fumaça de qualquer forma me parece algo agressivo.
Sobre o vício, os especialistas não acham o cigarro eletrônico algo seguro. A brincadeira de tragar pode virar um hábito e um alento em momentos de ansiedade e de estresse, por exemplo. Para largar o brinquedo neste ponto, a cena é mais complicada.
Você já ouviu falar no Juul, o mais famoso cigarro eletrônico?
Atualizado em 10/04/2019.
