turbilhão entre a infância e a adolescência

O turbilhão entre a infância e a adolescência

Ela bate o pé quando quer algo, fala alto para defender ideias, grita para se impor com os irmãos, argumenta incansavelmente para ganhar mais liberdade, mais autonomia, mais independência. Essa é minha filha mais velha, com 13 anos de idade. Quem a ouve pensa estar diante de uma adolescente de 15 anos. Tem coerência, tem rapidez no raciocínio, tem uma fala articulada. Diante disso – e com dois irmãos mais novos -, eu a vejo grande. E a trato como uma pessoa grande. E muitas vezes me esqueço que estou diante de uma criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente não concorda. Para ele, quem tem doze anos completos já é adolescente. Ah, só no papel! E na ambivalência, quando sentimentos e ideias opostos, mas igualmente intensos, ocupam a mesma pessoa.

Por ser a primeira filha, ela é a mais cobrada. Sem perceber, o nível de exigência com ela sempre foi maior. Os horários mais estritos, as regras mais rígidas, as expectativas mais altas. Quando o assunto é escola, estamos em cima o tempo todo. Queremos notas boas, comprometimento, disciplina. Quando o assunto é organização do quarto, dedicação com esportes ou até mesmo sabedoria para escolher um lanche saudável, esperamos um desempenho exemplar dela. Esperamos um comportamento adulto. E ela é só uma criança, repito para tentar assimilar!

Essa semana, minha criança-adolescente embarcou sozinha para Belo Horizonte, como sempre faz nas férias. Só que dessa vez, ela não teve a comissária de bordo por perto antes do embarque e ao desembarcar no Aeroporto de Confins. Por ser adolescente por lei, ela pode ir sozinha, desacompanhada, solta. Eu, que embora não a deixe ir à farmácia da esquina sozinha, mas a considero grande, não vi nenhum problema nessa mudança de status. Minha criança crescida já viajou tantas vezes, sabe o que fazer na sala de embarque, sabe o que não fazer se um estranho se aproximar, sabe se defender tão bem dos irmãos, sabe usar muito bem o telefone celular… Qual é o drama?

Alguns dias antes da viagem, ela passou mal. Horas vomitando, dores na barriga, dor de cabeça. Virose? Reação à vacina? Intoxicação alimentar? Quando, entre uma náusea e outra, ela perguntou se existia o risco de ser raptada no aeroporto, fechei o diagnóstico: ansiedade. Viajar totalmente desacompanhada estava sendo um enorme desafio para uma criança-adolescente. Como eu não tinha percebido quão grande era este passo antes? Então a peguei pela mão. Expliquei VÁRIAS vezes o que fazer se o portão do voo fosse alterado, se o voo fosse cancelado, se entrasse no avião errado, se vomitasse, se o avô não estivesse no desembarque, se, se, se. E fiquei no saguão do aeroporto até ela – de dentro do avião – me autorizar a ir embora. Ela foi com uma caixa de Dramin numa mão e uma de Vonau na outra. Chegou bem. Encontrou o avô e a paz. Deu tudo certo. Minha adolescente-quase-adulta, que ainda é criança, conseguiu.

Bem, ela tem 13 anos. Para mim, quase uma adulta. Para o ECA, uma adolescente. Para os americanos, uma tween, definição perfeita de alguém que está ‘in between’ fases. Ou seja, entre a infância e a adolescência. E é nessa entre-safra que ela concilia de forma desorganizada características desses dois mundos. Quando parece interessante, ela se coloca como uma moça. Quando o bicho pega, infantiliza. Normal e esperado para o período da vida que está, cheio de mudanças, medos e descobertas.

E como eu fico nessa? Não posso mudar a ordem de nascimento dos filhos para tratá-la como menor, mas posso ficar atenta à mãe que sou com cada um deles e às suas necessidades. Com essa viagem, vi uma menina forte, bem resolvida, determinada, mas que ainda precisa do meu colo e do meu suporte, independentemente da idade. Assim desejo. Sempre.

Tá difícil aí? Veja aqui 6 dicas de como lidar com um pré-adolescente.

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Mineira de Belo Horizonte, jornalista, mãe de duas meninas de 12 e 15 e um menino de 9 anos. Criadora e editora do blog Vida de Menina.

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