Considero um privilégio amar esporte. Privilégio ainda maior é ter afinidade com um. Eu nunca tive essa sorte. Quando criança, era um desengonço em pessoa. Na adolescência, a intimidade com bolas era fraquíssima. E olhe que eu tentei. Num determinado momento, comprei raquete, saia plissada e camisa polo. Após três meses de aula, o professor de tênis sugeriu que eu procurasse outro esporte. Neste cenário, meu destino foi a dupla esteira e musculação, dentro de uma academia. Quase chegando aos 30, aprendi a nadar e tive um relacionamento sério com a piscina. O encontro de almas, no entanto, aconteceu depois dos 35, quando comecei a pedalar indoor e ao ar livre.
Hoje, vejo como a atividade física teria sido divertida se, lá atrás, eu tivesse descoberto um interesse. Sem prazer, nenhum exercício é suportável. Repito isso para minhas filhas diariamente. Luto para que elas procurem um esporte ou uma atividade que as estimule a treinar com frequência. Mas, confesso que está difícil. Lara jogou a toalha: ‘não gosto de nada, mãe’. E está se esforçando para aguentar a rotina maçante de um circuito de musculação. Estela segue firme na natação. Não ama. Mas tem a seu favor o estímulo de uma turminha que nada junto. Como comprovou um estudo realizado na Universidade da Paraíba e publicado no Jornal de Pediatria, a força dos amigos está diretamente associada ao nível de atividade física dos adolescentes. Leia mais sobre a pesquisa aqui.
Outras pesquisas sobre o tema também mostram como as meninas são influenciadas pelas mães (e os meninos pelos pais). Somos o modelo no qual elas se espelham. Quanto mais ativa for a mãe, maior a chance de a filha gostar de um exercício. Não adianta pressionar. O clique acontece quando elas observam que a atividade física faz parte da rotina assim como o trabalho, a vida social, o tempo com a família. E os benefícios de se mexer, claro, refletem em todas áreas também.
O que ganhamos ao treinar:
– Controle de peso: o número de crianças e adolescentes acima do peso e com obesidade cresce no mundo inteiro. Consequentemente, é cada vez maior o risco de eles desenvolverem diabetes e pressão alta. A atividade física ajuda a queimar calorias, melhorar o metabolismo e manter a musculatura tonificada. Sem falar na autoestima!
– Saúde mental: o exercício faz com que o corpo libere mais endorfinas, substâncias que melhoram o humor. No geral, a atividade física também reduz o risco de depressão, estimula o amor próprio e aumenta a capacidade de concentração e aprendizado.
– Prevenção de doenças: sob o estímulo da atividade física, o organismo funciona melhor em todos os departamentos. Hormônios, colesterol, pressão arterial se mantêm controlados e o risco de desenvolver diversas doenças diminui.
Alguns benefícios parecem distantes da realidade de crianças e jovens. Mas o hábito de uma vida inteira é construído a partir de agora.
Adolescente saudável é mais feliz!
Atualizado em 25/04/2019.
